Xian Muslim Quarters


O Epicentro da Comida de Rua Chinesa

Eu estive na China, durante o mês de março de 2013, como parte de um projeto de longa duração que desenvolvo a lentos passos em conjunto com minha esposa e também fotógrafa, Tatiana Ribeiro. Inicialmente nossa viajem se concentraria no norte da China, inicialmente em Pequim, mas as coisas começaram a mudar quando resolvemos voar de Pequim para Xian, capital da província de Shaanxi e uma das cidades mais antigas do país.

Nó tínhamos uma única, não exclusiva, mas bem óbvia intenção que era conhecer os exército de terracota, famosos guerreiros Chineses, em tamanho natural, datados de 210 a.C. e enterrados com o imperador Qin Shin Huang como proteção após a morte. Certamente Grandioso mas o que eu não esperava era me apaixonar por comida e não por fatos arqueológicos nos próximos dias.

Muslim Street, Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck

Ao chegar em Xian, fomos surpreendidos por uma camada de poluição densa, cinza, a qual não nos permitia enxergar além de alguns metros. Eu havia lido algo a respeito dessa fumaça que cobria a região, em parte devida a extração e utilização massiva do carvão no dia a dia, além da enorme concentração industrial, transito caótico e uma névoa natural causada pelo clima semi-árido da região.  Tudo isso formava um coquetel tóxico diário respirado em Xian.

O taxista nos deixou em uma rua movimentada, que cheirava comida, embora o cheiro de comida não fosse necessariamente apetitoso para nós, tudo aquilo parecia muito interessante, e não demorou mais do que dez minutos para descarregarmos nossas malas no minúsculo Hostel que ficava nos fundos de um sei la o que cheio de malas. Tudo era bem confuso e apenas deixamos as malas no quarto, pegamos as câmeras e saímos para rua. O Quarteirão Muçulmano estava a todo vapor, fritando, grelhando, martelando e cozinhando para um verdadeiro exército chinês.

Muslim Street, Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck
Muslim Street, Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck


O local estava literalmente em ebulição e nós estávamos famintos. Foi paixão a primeira vista. O Muslim Quarter engoliu a gente.


Muslim Street, Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck

Conversando com amigos, eu descobri que os muçulmanos são os melhores cozinheiros do Centro Oeste Chinês, sem dúvida escolher um reduto da alimentação de rua, regido diariamente por essas famílias foi a melhor idéia dessa viajem. Eu aprendi tanto sobre alimentação que todos os meus conceitos vieram abaixo com um novo patamar de sabores. A única coisa de que me arrependo é não ter experimentado tudo que eu poderia.

Muslim Street, Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck

Eu nem preciso dizer que nosso banquete foi grandioso, experimentamos tudo mas nem tudo parecia apetitoso e os gostos certamente surpreendem, mas aquilo havia se tornado nossa meta principal e experimentar era uma verdadeira surpresa. Os chineses são loucos por comida e principalmente, por comida fresca, as vezes até viva, então por mais que as coisas parecessem ou cheirassem estranho, nós simplesmente acreditavamos e mandávamos para dentro.

Muslim Street, Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck

Os sentimentos são tão fortes e as pessoas tem raízes tão firmes, vivendo ali a tanto tempo sob aquela cultura de rua que bastam alguns dias para presenciarmos acontecimentos tão grandiosos como casamentos e funerais no meio da rua. As pessoas vivem a vida na rua, nesse epicentro da comida de rua chinesa.

Muslim Street, Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck
Muslim Street, Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck
Muslim Street,Xian, China
O Quarteirão Muçulmano e o epicentro da comida de rua na China, Março 2013. © Gui Galembeck

Por fim, os guerreiros de terracota me pareceram demasiadamente monótonos, importantes com certeza é algo que você tem que ver,  eu não via mesmo era hora de voltar para a rua, pois eu sabia que lá era o local onde as coisas estavam acontecendo de verdade.


Importante saber sobre Xian:

  • É uma região provinciana localizada no centro da planície de Guanzhong no Noroeste Chinês. Uma das cidades mais antigas da China, Xian é a mais velha das quatro capitais da antiguidade mantendo sua importância por diversas dinastias.
  • Desde os anos 90, como parte da reconstrução econômica do interior Chinês, especialmente nas regiões Centrais e Noroeste, a cidade de Xian reapareceu como importante polo cultural, industrial e educacional, com facilidades para pesquisas e desenvolvimento de projetos, segurança nacional e o programa de exploração espacial Chinês.
  • Os dois caracteres no nome Xian “西安” significam Paz do Oeste.
  • Assim como Pequim 798 e Shanghai 1933, Xian tem um distrito artístico chamado “Cidade Têxtil”, o qual não pode ser considerado uma cidade, mas leva esse nome por causa da quantidade de industrias têxteis que se instalaram lá desde os anos 50.
  • Qinqiang (Voz de Qin) é o mais complexo e masi velho dos quatro tipos principais de Ópera Chinesa e desenvolveu seu próprio sistema vocal com partes faladas, além da maquiagem facial, postura, encenação específicos.
  • Achados arqueológicos nas ruinas do sitio de Banco Village, próximo a Xian, indicam que os pincéis de caligrafia em sua forma mais rude e primitiva eram usados e provavelmente foram inventados ali a 6000 anos atrás. Você encontrará uma diversa gama de pincéis de caligrafia nos quarteirões muçulmanos.